Sífilis e gravidez no município de Cachoeiras de Macacu: perfil epidemiológico entre os anos 2016 e 2022
DOI:
https://doi.org/10.5327/JBG-2965-3711-174Palabras clave:
doenças sexualmente transmissíveis, sífilis, sífilis congênita, recém-nascido, natimortoResumen
Introdução: A sífilis permanece um problema relevante de saúde pública e pode ser transmitida verticalmente, resultando em sífilis congênita, condição associada a desfechos adversos para o feto e o recém-nascido. No Brasil, observa-se aumento das notificações de sífilis congênita, especialmente na região Sudeste, o que reforça a importância do monitoramento epidemiológico e da qualidade da assistência pré-natal. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico da sífilis gestacional e da sífilis congênita nos casos notificados no município de Cachoeiras de Macacu, estado do Rio de Janeiro, no período de 2016 a 2022, e identificar a taxa de incidência da sífilis congênita no período. Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo e descritivo, realizado com dados secundários provenientes das fichas de notificação compulsória e de sistemas de informação em saúde, complementados por entrevistas com mães de recém-nascidos notificados por sífilis congênita no município, entre 2016 e 2022. A incidência foi calculada por meio da taxa de sífilis congênita em menores de um ano de idade. Resultados: No período estudado, foram notificados 40 casos de sífilis congênita em menores de um ano, com maior ocorrência em 2022 (42,5%). Após declínio entre 2016 e 2019 e ausência de registros em 2020, observou-se aumento dos casos em 2021 e 2022. Entre as mulheres entrevistadas, verificou-se maior ocorrência entre mulheres pardas e negras, predominantemente na faixa etária de 21 a 30 anos e residentes no bairro de Japuíba. As participantes realizaram acompanhamento pré-natal, com início das consultas distribuído principalmente até a 12ª semana de gestação. O teste VDRL/RPR foi o principal método diagnóstico referido, e a maioria das gestantes relatou ter recebido tratamento. Parte das participantes realizou testagem para sífilis apenas no momento da internação para o parto. Conclusão: Observou-se aumento recente dos casos de sífilis congênita no município de Cachoeiras de Macacu. Os casos notificados apresentaram perfil sociodemográfico caracterizado por maior ocorrência entre mulheres pardas e negras, na faixa etária de 21 a 30 anos, residentes principalmente no bairro de Japuíba. Os achados reforçam a importância do acompanhamento adequado da gestante e do recém-nascido para a detecção e o tratamento oportuno dos casos, com impacto na qualificação da assistência pré-natal e no monitoramento da população de risco.
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